A COP30, sediada neste ano em Belém, será determinante para impulsionar a agenda de transição energética, um dos pilares mais essenciais para uma efetiva economia verde. O evento, considerado o principal fórum global para negociações sobre mudanças climáticas, reúne os mais importantes interlocutores para discutir alternativas para as mudanças climáticas e impulsionar o uso de fontes de energia limpa, que são determinantes para transformar os setores altamente dependentes de carbono.
Mais do que nunca, empresas necessitam assumir metas concretas para a redução das emissões de carbono e, nesse processo, o uso de fontes energéticas renováveis se faz indispensável. Do ponto de vista governamental, durante a COP30, foi anunciada a criação do Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis, ou o chamado “Belém 4x”, que tem como objetivo oferecer apoio político e estimular a cooperação internacional para, no mínimo, quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035.
Desta forma, o Brasil assume posição de protagonista na transição energética. A matriz energética do país é composta por mais de 49% de fontes renováveis, além de que há relevante produção de biocombustíveis em solo brasileiro. No âmbito regulatório, o legislativo tem sancionado ordenamentos jurídicos que impulsionam a transição energética, como o Marco Legal do Hidrogênio de Baixo Carbono, o Programa Combustível do Futuro e a Lei do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
Já quando se trata da esfera privada, a COP30 traz um efetivo direcionamento e se torna a ocasião mais propícia para se rever estratégias e fazer ajustes em processos, a fim de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e frear as mudanças climáticas. Setores como infraestrutura, energia e a indústria em geral, principalmente, deverão adotar uma postura ativa na transição energética para, de fato, tirar do papel as metas climáticas.
Relevância do capital privado na transição energética
O mercado de investimentos também desempenha um papel fundamental no avanço da transição energética. A mobilização de capital público e, sobretudo, privado é extremamente necessário para o desenvolvimento de projetos que envolvem energias renováveis, eficiência energética, combustíveis sustentáveis, armazenamento de energia e eletrificação de setores intensivos em carbono, por exemplo.
Nesse contexto, os presidentes da COP 29 e da COP30 anunciaram o Mapa do Caminho de Baku a Belém, um plano estratégico para mobilizar ao menos US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático para países em desenvolvimento até 2035. Além disso, o Brasil lidera a criação de um fundo global de US$ 125 bilhões para recompensar financeiramente os países que conservam suas florestas tropicais.
Para além do esforço dos países, os investimentos privados também serão de suma importância para o sucesso das metas climáticas. Tendo isso em vista, para financiar projetos com benefícios ambientais e climáticos, surgiram instrumentos financeiros específicos: os green bonds, blue bonds e sustainability bonds.
Esses títulos são estruturados para atrair capital de investidores interessados em promover a sustentabilidade, ao mesmo tempo que oferecem retorno financeiro. Cada um deles possui características próprias, mas compartilham o compromisso de direcionar os recursos captados para iniciativas que contribuam com a mitigação das mudanças climáticas, a preservação dos ecossistemas e o desenvolvimento socioambiental:
- Green bonds: títulos de renda fixa que podem ser emitidos por governos, instituições financeiras ou empresas para financiar, exclusivamente, projetos com benefícios ambientais, como de energia renovável (solar e eólica, por exemplo), eficiência energética, reflorestamento e gestão de resíduos;
- Blue bonds: títulos de renda fixa que têm como focoa proteção dos oceanos e recursos hídricos, financiando ações como saneamento costeiro, pesca sustentável e conservação marinha;
- Sustainability bonds: títulos de renda fixa que financiam, simultaneamente, projetos de impacto social e ambiental, apoiando iniciativas que promovam tanto a transição ecológica quanto a inclusão social, como transporte limpo aliado a habitação acessível.
Setor privado e a COP30
Para que a transição energética ganhe impulso de forma efetiva, a união dos atores econômicos, políticos e governamentais se faz indispensável. A COP30 tem reforçado a importância de se definir uma rota para o fim da dependência dos combustíveis fósseis a nível mundial e, para isso, o desenvolvimento de fontes de energias renováveis é crucial.
O setor energético, principalmente, ao se alinhar às políticas públicas discutidas na COP30, acaba por adotar uma postura mais proativa e estratégica na agenda climática. A implementação de projetos de geração de energia renovável, com o apoio dos recursos vindos do mercado financeiro, será primordial para que os demais setores da economia se tornem independentes das fontes fósseis de energia.
Os esforços para uma economia verde não são apenas essenciais, como também estratégicos. Empresas que se posicionam em prol da sustentabilidade e energia limpa tendem a liderar os novos mercados que a economia de baixo carbono está criando.
Fóruns como a COP destacam a relevância da transição energética para conter o problema palpável das mudanças climáticas, mas o empenho das companhias e dos governos em promover e investir nas fontes energéticas sustentáveis deve ser concreto e ininterrupto.
